sexta-feira, 26 de junho de 2020

       #wattpad #fanfic ❝a improvável história onde philippe coutinho se apaixona pela sua melhor amiga, laura menezes❞ ▶ se passa durante a copa do mundo de 2018 ▶ philippe coutinho fanfiction ▶ linguagem popular






Henry a viu de longe chamando o garçom novamente, ela estava sentada na beirada da janela de fora do bar, com o seu cabelo preto preso em uma tiara de pérolas e um pesado casaco escuro. Ele pegou uma garrafinha de água sem gás e ao passar pelo garçom disse que estava tudo bem e que não precisaria levar outra bebida. Foi caminhando em direção a ela com todos os seus turbilhões de pensamentos.
Katerine era sua amiga desde sempre, cresceram juntos e sempre apoiaram um ao outro. Mas ela havia ido embora, cinco anos em Galway e ali estava a pequena artista que deixara o Brasil com o sonho de se formar em uma escola de artes renomada. Henry se pegou sorrindo ao lembrar dos dias que ela o fizera ficar horas sentado na mesma posição para no final os dois darem gargalhadas do retrato todo torto. Em questão de segundos sua mente foi dos momentos da infância, das guerras com balões de água, do dia que ele quebrou o braço ao cair do pé de manga e Kat passou o verão todo com ele, assistindo a filmes e rabiscando ao seu lado, do baile do nono ano onde o par de Kat acabou a deixando por outra garota e ela ficou sozinha na entrada da festa até Henry ir ao seu encontro e a tirar para dançar. Lembrou do último abraço antes dela pegar o avião em direção a Irlanda, dos cinco segundos de coragem onde ele estava pronto para dizer o que realmente sentia até que a voz, dizendo para todos os passageiros irem até o portão de embarque, falou.
Se sentando ao lado dela, encontra os olhos marejados e oferece a água.
- KitKat. -  Disse Henry.
Ao olhar para ele, a represa que estava segurando as lagrimas de Kat desaba e num impulso ela vai para os braços de Henry. Ninguém diz nada, apenas permanecem ali, abraçados em frente ao bar com o vento frio balançando os cabelos de Kat.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

01 | O Baú de Clarissa



Fiquei com um pouco de receio ao subir no pequeno móvel que arrastei até o guarda-roupa, não estava afim de cair ou quebra-lo, mas com muito cuidado consegui pegar o baú antigo, marrom, com uma textura velha, lá estavam minhas memórias mais importantes.
Me sentei no chão ao lado da cama para abri-lo, e comecei a ver as fotos, cartas, cartões e souvenires que vinha colecionando ao longo do tempo. Meus olhos pararam numa foto onde uma garota segurava uma fita cassete e parecia gargalhar no momento registrado.
Minha mente viajou até aquele instante.
Meu quarto antigo, meus ursos no chão, fotos polaroides coladas na parede, e ele. Deitado no tapete dedilhando o violão, cantava enquanto eu mexia nas fitas antigas.
Cada um no seu mundo, juntos. Nós éramos assim, dois estranhos e opostos que se apaixonaram após várias idas na locadora e sorvetes nos fins de tarde. Ele ia de Caetano a Legião, enquanto eu defendia o “faça amor, não faça guerra”, com meus óculos a lá John Lennon e ele de pé de chinelo e camisa creme.
Seu cabelo cacheado se entrelaçava nos meus dedos com unhas pretas e a cada beijo, manchas de batom vermelho cobriam a maior parte dos nossos rostos.
Ele amava aventuras e novos mundos, enquanto eu só sabia ler revistas e no máximo algum livro com um romance bem clichê.
Ele todo calmo, daqueles que ri para o vento, e te olha de uma forma que no fim você sabe que vai ficar tudo bem, e eu: a crise em pessoa.
Ele dizia que o nosso amor era como um grão, um dia teríamos que mata-lo para então germinar. Mas eu não entendi.
Com o tempo eu sufoquei aquele pequeno grão, não o permitia sorrir, e os seus olhos, antes tranquilos como um mar calmo, passaram a ficar densos e molhados.
A garota na foto com a fita na mão, a fita que atrás continha escrito em caneta azul um trecho de uma música do Jota Quest “Mas quando eu penso em alguém é por você que eu fecho os olhos...”, essa mesma garota não sabia que aquela seria a última vez que sorriria diante dos olhos calmos.
Afinal, ela matou o grão sem enterra-lo.
Viro a foto e vejo escrito com a mesma caneta azul, nossos nomes dentro de um coração manchado com uma gota de lágrima.
E agora mais uma lagrima cai.




Orion



Eu sabia que ele iria estar ali, sentado, com sua camisa branca no vento, observando o mar. Sabia que na verdade ele não ia ler nenhum livro, e só havia dito isso para poder se esquivar da multidão. Afinal ele é do silencio.
Sabia que os seus olhos azuis estariam fixos nas ondas que iam e voltavam em seus pés.
Eu pensei umas duas vezes antes de me aproximar e atrapalhar o seu momento tão único, mas as férias acabam amanhã então eu precisava aproveitar esse momento.
Eu me sentei ao seu lado e ele sorriu. Conversamos sobre o luau e sobre os outros alunos o perturbarem para entrar na roda, ele me contou sobre as constelações e caminhou com o meu dedo até encontrarmos a constelação de Orion. Fomos de estrelas até antigos deuses. Até que seu olhar se fixou no meu.
Achei que meu coração explodiria quando ele afastou uma mecha de cabelo rebelde da minha bochecha. Por Deus! Eu tenho certeza de que nunca vou encontrar outra pessoa que sorria com os olhos da forma que Chad sorri.
Chad.
E então eu volto a sorrir. Apenas quatro letras, e olha só o efeito que elas causam em mim.
E eu sabia que naquele momento na praia, ele também estava a ponto de explodir. Ele se aproximou, segurou meu rosto e por fim me beijou. Seus lábios quentes abriram os meus e então todo o meu corpo amoleceu e se permitiu ser entregue aquele momento.
E as ondas continuavam indo e vindo.